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ANÁLISE DA
LINHA DE
VALOR
A partir do mapa
da linha de valor obtido para a situação atual, a lean production
propõe um processo para desenvolvimento de situação futura em
ambientes de manufatura. Para isso é feita uma Análise da Linha
de Valor. Esta análise é composta por 8 questões, que também
já direcionam a construção das alternativas de situação futura
da produção (ROTHERS&SHOOK,1998):
Questão
no. 1: Qual é o Takt-time do processo?
O
Takt-time é o ritmo da unidade de produção que deve ser
observado para atender a demanda dos clientes. Ele deve ser
calculado com base nas informações de venda. Logo, o cálculo
é feito da seguinte forma:
Takt-time
= TTt / DCt
Onde
:
- TTt
= tempo de trabalho disponível por turno
- DCt
= demanda média do consumidor por turno
Questão
no.2: A produção se destina a um "supermercado" de produtos
finais ou atende à expedição diretamente?
O
termo "supermercado" aqui corresponde ao estoque de produtos
acabados estrategicamente localizado no fim do sistema produtivo,
de forma que os consumidores podem ser atendidos imediatamente,
simplesmente retirando-se produtos acabados deste estoque. Isso
liberará um Kanban, ou cartão, para a produção de forma
a repor o supermercado. A outra alternativa, que é atender à
expedição diretamente, é a fabricação total ou parcial a partir
da requisição do consumidor. Isto significa produzir a partir
da liberação de ordem de produção em determinada parte do processo
produtivo.
A
resposta a essa questão depende de diversos fatores: se os produtos
são padronizados, qual o número de configurações diferentes
do produto, confiabilidade dos processos produtivos. Etc. A
figura abaixo mostra graficamente essas duas opções.

Produção
para supermercado versus produção para expedição.
Questão
no. 3 : Em que parte do processo podemos estabelecer um fluxo
contínuo de produção?
Fluxo contínuo aqui significa a produção de uma peça de cada
vez ao longo de um processo ou cadeia de recursos, sem inventário
ou estoque de material entre os recursos. O fluxo contínuo é
considerado a maneira mais eficiente de se produzir e é representado
no Value Stream Map como se fosse um único processo.
Processos contínuos são normalmente chamados de FIFO ou CONWIP
(HOPP e SPEARMAN, 1996).
Questão
no. 4: Aonde será necessária a utilização de "supermercado"
para puxar a produção a fim de se controlar os processos anteriores
(upstream)?
Isso
significa utilizar supermercados controlados por Kanbans
aonde não for possível estabelecer um fluxo contínuo. A palavra
Kanban em japonês quer dizer cartão e no sistema Toyota
de Produção, os cartões são utilizados para controlar o fluxo
de material pela fábrica. Existe uma série de propostas de utilização
de Kanbans na literatura (HOPP e SPEARMAN, 1996). No
entanto todas acabam sendo derivadas de 3 tipos básicos: o kanban
de produção, o de transporte e o de sinal.
O kanban de produção é um cartão que informa ao operador
que determinada parte está sendo requerida por um processo adiante.
O kanban de transporte é um cartão que indica a um operador
ou transportador que um determinado material deve ser retirado
de um determinado estoque e encaminhado para um determinado
ponto da produção. Uma explicação mais detalhada do processo
de utilização de kanbans pode ser visto em Hopp&Spearman
(1996). O kanban de sinal é um cartão que auxilia o controle
de reposição convencional de estoques. Ele é um cartão que fica
junto com o material estocado e que é retirado e transportado
até um painel quando o volume de estoque atinge o ponto de reposição.
Questão
no. 5: Em que ponto da cadeia produtiva a produção será programada?
O
"processo de controle" é chamado processo pacemaker,
porque o ritmo de produção neste processo determina o ritmo
de produção dos processos anteriores. A transferência de material
para os processos subseqüentes deve ocorrer de maneira contínua.
Esse processo pacemaker representa o início do fluxo
contínuo na produção. Os processos anteriores devem ser controlados
por "supermercados" e sistemas de kanbans. A figura abaixo
mostra dois exemplos de localização do pacemaker.
Questão
no. 6 : Como será determinado o mix de produção no
pacemaker?
Uma
diretriz da Lean Production para responder a essa questão
é efetuar o mix de diferentes produtos e repetir a seqüência
no menor intervalo de tempo possível. Isso significa criar pequenos
lotes de produto ao se programar o pacemaker, ao invés
de lotes maiores. Isso permite atender a diferentes demandas
dos clientes com pequenos lead-times, enquanto se mantém
um baixo estoques de produtos acabados, permitindo que os supermercados
sejam menores.

Exemplos
de localização de pacemakers
Questão
no. 7 : Qual a quantidade de trabalho a ser liberada e retirada
do pacemaker?
A
indicação aqui é para se liberar pequenos incrementos gradativamente.
Isso significa a definição de um período de tempo entre cada
liberação de material (acompanhado de um kanban) a ser
processado. Este intervalo de tempo é chamado pitch.
Desta forma, a cada pitch é dado ao pacemaker
a instrução de produzir a quantidade de um kanban. Esta
também é a freqüência de retira de produto acabado da montagem
final.
Questão
no. 8 : Que melhorias nos sub-processos serão necessárias ao
sistema produtivo para a implantação do novo processo projetado?
Neste
ponto é necessário definir claramente as melhorias em procedimentos
e equipamentos que serão necessários. Exemplos disso são: redução
de tempo de preparação em processos, redução do nível de retrabalho
em peças, otimização no processo de manutenção programada, etc.
Existe um ícone especial no método de Mapeamento da Linha de
Valor para indicação das melhorias necessárias para a implantação
da situação futura. Esta última questão a rigor, em termos de
TransMeth, se localiza na próxima etapa, a de Definição de Iniciativas
de Melhoria.
O processo proposto também é desenhado utilizando-se a técnica
de Mapeamento da Linha de Valor. A figura abaixo mostra um exemplo
de mapa da situação futura.

Exemplo
de Mapa da Situação Futura da Linha de Valor.
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