FERRAMENTAS DA PRODUÇÃO ENXUTA

Origens da Produção Enxuta - um pouco de história

O local de nascimento da Produção Enxuta

A Toyota é comumente denominada de a mais japonesa das companhias automobilísticas do Japão. Sua família fundadora, os Toyoda, teve êxito inicialmente no ramo de maquinaria têxtil, em fins do século XIX, desenvolvendo teares tecnicamente superiores. No final dos anos 30, instada pelo governo, a companhia iniciou-se na indústria de veículos motorizados, especializando-se em caminhões militares. Após a guerra, Toyoda resolveu firmemente ingressar na fabricação em larga escala de carros e caminhões comerciais, porém deparou com uma série de problemas:

1. O mercado doméstico era limitado, demandando vasta gama de veículos: carros de luxo para autoridades governamentais, caminhões grandes, caminhões pequenos para os agricultores menores e carros pequenos adequados para as cidades populosas e para o alto custo do combustível no Japão.

2. a força de trabalho nativa no Japão, conforme a Toyota e outras firmas logo constataram, já não mais estava propensa a ser tratada como custo variável ou peça intercambiável. Ainda mais, as novas leis trabalhistas introduzidas pela ocupação norte-americana fortaleciam significativamente a posição dos trabalhadores na negociação de condições mais favoráveis de emprego.

3. A economia do país, devastada pela guerra, estava ávida por capitais e trocas comerciais, sendo quase impossível a compra maciça de tecnologias de produção ocidentais mais recentes.

4. O mundo exterior estava repleto de imensos produtores de veículos motorizados, ansiosos por operarem no Japão, e dispostos a defenderem seus mercados consagrados contra as exportações japonesas.

Essa última dificuldade provocou uma resposta do governo japonês, que logo proibiu investimentos externos diretos na indústria japonesa. Tal proibição foi vital para a Toyota na conquista de um lugar ao sol no ramo automobilístico. Além disso, o governo quase avançou demais. Depois que a proibição da propriedade estrangeira e a imposição de elevadas tarifas alfandegárias encorajaram um grupo de firmas japonesas a ingressarem na indústria automobilística no início dos anos 50, o Ministério do Comércio Exterior e Indústria do Japão (MITI) teve outras intenções. O MITI acreditava que o primeiro requisito de uma indústria automobilística internacionalmente competitiva seria uma escala de produção elevada, propondo assim uma série de planos para fundir as doze embrionárias companhias numa espécie de "Duas Grandes"ou "Três Grandes"japonesas, para concorrerem com as Big Three de Detroit. As companhias assim surgidas deveriam se especializar em diferentes tamanhos de carros, evitando a competição doméstica "excessiva" e aumentando a escala de produção, para seus preços se tornarem competitivos nos mercados exportadores.

E se tais planos tivessem tido sucesso? A indústria japonesa teria crescido bastante de início, mas provavelmente compartilharia o destino da atual indústria automobilística coreana. Ou seja, à medida que os baixos salários fossem gradualmente desaparecendo, os novos produtores japoneses, sem novidades a oferecer em técnicas de produção e com limitada competição doméstica, teriam se tornado "mais um" na indústria automobilística mundial. Talvez tivessem conseguido proteger seu mercado doméstico , mas não representariam nenhuma ameaça a longo prazo às firmas consagradas do resto do mundo usando de mesmas técnicas.

Em vez disso, a Toyota, a Nissan e outras companhias desafiaram o MITI, e partiram para se tornarem produtores automobilísticos completos, com uma gama de novos modelos. O principal engenheiro de produção da Toyota, Taiichi Ohno, logo percebeu que empregar as armas de Detroit - e seus métodos - não servia a sua estratégia. Os métodos da produção artesanal constituíam uma alternativa bem conhecida, mas pareciam levar a lugar nenhum, se a intenção da companhia fosse fabricar produtos para o mercado de massa. Ohno sabia que precisava de um novo enfoque e o encontrou. Este conjunto de técnicas de produção e administração da empresa foi denominado de Produção Enxuta.

Princípios da Produção Enxuta

A Produção Enxuta parte do princípio que existem sete tipos de desperdícios dentro da empresa os quais devem ser atacados e eliminados. Estes desperdícios segundo Gianesi & Corrêa, são:

  • Desperdício de superprodução: provém, em geral, de problemas e restrições do processo produtivo, tais como altos tempos de preparação de equipamentos, induzindo à produção de grandes lotes; incerteza da ocorrência de problemas de qualidade e confiabilidade de equipamentos, levando a produzir mais do que o necessário; falta de coordenação entre as necessidades (demanda) e a produção, em termos de quantidades e momentos; grandes distâncias a percorrer com o material, em função de um arranjo físico inadequado, levando à formação de lotes para movimentação, entre outros. Desse modo, a filosofia Enxuta sugere que se produza somente o que é necessário no momento e, para isso, que se reduzam os tempos de set up, que se sincronize a produção com a demanda, que se compacte o layout da fábrica, e assim por diante.
  • Desperdício de material esperando no processo: resulta na formação de filas que visam garantir altas taxas de utilização dos equipamentos. A sincronização do fluxo de trabalho e o balanceamento das linhas de produção contribuem para a eliminação deste tipo de desperdício.
  • Desperdício de transporte: encaradas como desperdícios de tempo e recursos, as atividades de transporte e movimentação devem ser eliminadas ou reduzidas ao máximo, através da elaboração de um arranjo físico adequado, que minimize as distâncias a serem percorridas. Além disso, custos de transporte podem ser reduzidos se o material for entregue no local de uso.
  • Desperdício de processamento: é comum que os gerentes se preocupem em como fazer algo mais rápido, sem antes questionar se aquilo deve realmente ser feito. Nesse sentido, torna-se importante a aplicação das metodologias de engenharia e análise de valor, que consistem na simplificação ou redução do número de componentes ou operações necessários para produzir determinado produto. Qualquer elemento que adicione custo e não valor ao produto é candidato a investigação e eliminação.
  • Desperdício de movimentação nas operações: aqui, justifica-se a importância das técnicas de estudo de tempos e métodos, pois a Produção Enxuta é um enfoque essencialmente de "baixa tecnologia", apoiando-se em soluções simples e de baixo custo, ao invés de grandes investimentos em automação. Ainda que se decida pela automação, devem-se aprimorar os movimentos para, somente então, mecanizar e automatizar. Caso contrário, corre-se o risco de automatizar o desperdício.
  • Desperdício de produzir produtos defeituosos: produzir produtos defeituosos significa desperdiçar materiais, disponibilidade de mão de obra, disponibilidade de equipamentos, movimentação de materiais defeituosos, armazenagem de materiais defeituosos, inspeção de produtos, entre outros.
  • Desperdícios de estoque: significam desperdícios de investimento e espaço. A redução dos desperdícios de estoque deve ser feita através da eliminação das causas geradoras da necessidade de manter estoques. Eliminando-se todos os outros desperdícios, reduz-se, por conseqüência, os desperdícios de estoque. Isto pode ser feito reduzindo-se os tempos de preparação de máquinas e os lead times de produção, sincronizando-se os fluxos de trabalho, reduzindo-se as flutuações de demanda, tornando as máquinas confiáveis e garantindo a qualidade dos processos.

As metas colocadas pela produção Enxuta em relação aos vários problemas de produção são:

  • zero defeitos;
  • tempo zero de preparação (set up);
  • estoque zero;
  • movimentação zero;
  • quebra zero;
  • lead time zero;
  • lote unitário (uma peça).

Para eliminação destes desperdícios e alcance das metas estabelecidas a Produção Enxuta lança mão de um conjunto de técnicas e ferramentas. Algumas dessas são

  1. Value Stream Mapping - O Mapa do Fluxo de Valor
  2. Mapeamento das atividades do Processo e Matriz de Resposta da Cadeia de Suprimentos
  3. Layout Enxuto
  4. Técnicas de Formação de células
  5. Sistema kanban de controle da produção
  6. Cinco elementos da manufatura enxuta

Estas ferramentas estão detalhadas no arquivo: Ferramentas da Produção Enxuta

Duas dessas ferramentas, o Mapa do Fluxo de Valor e o Layout Enxuto, foram utilizadas em casos real de aplicação dos conceitos da Produção Enxuta em empresas brasileiras.

Mapa do Fluxo de Valor

Layout Enxuto

Artigo

 

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