Fontes: HAYES, R.H. , PISANO, G.P.  ;KRAFCIK, J.F. ;WOMACK, J.P., JONES, D.T. , ROOS, D. ;WOMACK, J.P. , JONES, D.T.  (vide informações adicionais)

Introdução

O modo de produção enxuta apresenta as seguintes características gerais: manufatura flexível com menor número de máquinas especializadas, redução de estoques, formação de empregados qualificados e multi-tarefas preparados para trabalhar em equipes, linha de montagem procurando prevenir falhas e evitar reparos finais, relacionamento de cooperação e de longo prazo com fornecedores. Um desempenho superior no desenvolvimento de produtos resultante do modo enxuto, somente será transformado em vantagem competitiva para a empresa se  ela tiver toda uma administração voltada para esse modo, o que significa ter a linha de montagem e produção, relacionamento com fornecedores e tratamento com o consumidor final operando em sintonia e de acordo com as regras do modo enxuto de produção.

No desenvolvimento de produtos das organizações enxutas, há uma ênfase em equipes multifuncionais com  liderança forte, e com participação ativa de especialistas das diversas áreas funcionais sendo valorizados pela atuação dentro da equipe. A conseqüência deste enfoque enxuto no desenvolvimento do produto é a capacidade de projetar e produzir uma maior variedade de produtos atendendo à  fragmentação do mercado, conseguindo a fidelidade dos clientes pela qualidade e confiabilidade dos produtos produzidos, representando para as organizações que o empregam um grande salto na produtividade, qualidade dos produtos e resposta rápida às cíclicas exigências do mercado.

As companhias que dominam o projeto enxuto apresentam vantagens competitivas pois podem ampliar sua variedade de produtos, atingindo melhor os diferentes segmentos do mercado. Outra possibilidade é uma maior taxa de renovação de produtos, mantendo-os mais atualizados do que a concorrência. Essas duas tendências, que vêm sendo utilizadas pelos produtores enxutos mundiais, afetam significativamente os volumes de produção, conciliando até certo ponto a grande variedade de produtos à venda no sistema de produção artesanal, com um volume elevado de produção, e consequentemente baixos preços e acesso ao mercado de massas, do sistema de produção em massa clássico.

Além de maior variedade de produtos ou menores ciclos de renovação, pode-se utilizar este conjunto de vantagens na implementação de um eficiente processo de desenvolvimento de inovações tecnológicas no produto. O projeto enxuto, permite  uma aproximação maior entre o setor de pesquisa e desenvolvimento e a engenharia do produto significando em rápida introdução de inovações tecnológicas nos novos modelos, com menor comprometimento da confiabilidade do produto final e de sua manufaturabilidade.
 
 

Guia de leitura das informações adicionais

 

 

Não há como tratar do assunto Lean Production sem mencionar o principal esforço de pesquisa mundial que tratou deste tema, realizado em meados dos anos 80 pelo IMVP -International Motor Vehicle Program do MIT.

Do trabalho deste grupo resultaram as principais referências colocadas nas Informações Adicionais desta página sobre Lean Production. Sem dúvida o livro "A Máquina que Mudou o Mundo" (1992) é a obra mais conhecida e fundamental para se compreender a superioridade do sistema de produção enxuta em relação ao sistema de produção em massa tradicional.

Esta obra mostra isso contrastando a forma como as montadoras japonesas e particularmente a Toyota, criadora da Lean Production, tratavam dos aspectos
fabricação, projeto, gestão de fornecedores e consumidores, com resultados bem superiores aos obtidos pelas montadoras norte-americanas e européias, fiéis seguidoras aquela época do sistema de produção em massa.

O artigo de Krafcik (1988), que foi o principal especialista em fábricas da equipe do IMVP - MIT, apresenta basicamente as mesmas linhas de discussão, podendo ser uma opção para uma leitura rápida, mas sem o mesmo detalhamento que o livro trás.

Após esta primeira fase do IMVP, e com a enorme repercussão desta pesquisa e do livro, muitas montadoras e empresas de outros setores industriais começaram a reagir buscando implementar os princípios preconizados pela Lean Production. Neste sentido os dois artigos citados da Harvard Business Review (1994) enfatizam a necessidade de se considerar a Lean Production em  todas as atividades da empresa e em sua própria estratégia competitiva (e não somente na produção e na fabricação em si). Por fim, o segundo livro do IMVP "A Mentalidade Enxuta" segue esta mesma linha e mostra as experiências e os resultados obtidos por empresas, em diferentes tipos de indústrias, que buscaram implantar a Lean Production.

Os sites relacionados permitem que se tenha mais detalhes do trabalho do IMVP e duas de suas derivações mais importantes, o laboratório de Projeto de Sistemas de Manufatura (PSD) e o Lean Enterprise Institute.

Informações Adicionais - última verificação 11/11/1999(voltar para início da página)

HAYES, R. H.;  PISANO, G. P.; (1994).  Beyond world-class: the new manufacturing strategy. Harvard Business Review, p.77-86, Janeiro-Fevereiro. (t:802)

KRAFCIK, J. F.; (1988). Triumph of the lean production system. Sloan Management Review, Autumn p. 41-52.

WOMACK, J. P.; JONES, D. T.;  ROOS, D.; (1992). A Máquina que mudou o mundo. Rio de Janeiro: Campus. ( Disponível na EESC - USP )

WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; (1994).  From lean production to the lean enterprise. Harvard Business Review, p.93-103. Março-Abril. (t:809).

WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; (1997). A Mentalidade Enxuta. Rio de Janeiro: Campus(Disponível na biblioteca da UFSCar)

Sites Relacionados

PSD-Production System Design Laboratory(1998)http://lean2.mit.edu/

LEI-Lean Enterprise Institute(1998)http://www.lean.org


IMVP - International Motor Vehicle Program (1999)http://web.mit.edu/afs/athena.mit.edu/org/c/ctpid/www/imvp/