[Conceitos Básicos]
[Informações Adicionais]
Responsável : Prof. Henrique Rozenfeld
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Fontes: GORANSON, H.T. 1997, ROZENFELD,H. 1996, VERNADAT, 1996 (vide informações
Desde os primórdios da utilização da sigla CIM, a ênfase estava na letra "C" de Computador, ou de uma forma mais ampla, Tecnologia de Informação.Considerava-se CIM como sendo "a utilização do processamento de dados eletrônicos e o fluxo de informações auxiliado por computador em todos os setores da empresa". Nesse período surgiu uma grande quantidade de propostas de modelos CIM, arquiteturas CIM, soluções CIM, etc..
A ênfase agora
mudou e a letra hoje então mais importante da sigla CIM é o "I" de
Integração, que representa os processos de negócios nas suas diversas visões (estratégias,
atividades, informação, recursos e organização) dentro de uma visão holística do negócio(vide figura).
O "C",
ou seja a Tecnologia de Informação, é o recurso potencializador da integração,
quando pensarmos nos sistemas de gestão integradas (ERP). A Tecnologia de Informação
tem o potencial de facilitar a integração da organização e de suas pessoas também
com o uso de tecnologias como workgroup computing, que envolve workflow, agenda
eletrônica em grupo, correio eletrônico e até sistemas PDM. Nesses casos outros
fatores, tais como cultura organizacional e capacidade de aprendizado da organização
são importantes e muitas vezes inviabilizam o sucesso da aplicação dessas
tecnologias .
Não se deve esquecer que o domínio do negócio,
ou melhor da manufatura de uma forma abrangente (letra "M") continua
a ser essencial. De nada adiantaria a melhor estratégia, a melhor organização,
os melhores recursos, se não existir um domínio amplo do negócio, desde o desenvolvimento
de seus produtos, até a sua comercialização e produção.
A Integração parte de uma visão
holística da empresa, onde todas as visões fazem parte de um todo unificado.
O que sustenta esta visão holística é a compreensão da empresa através de seus
processos de negócio (business processes).Logicamente não
se pretende aqui diminuir a importância da Tecnologia de Informação na Integração
da Manufatura. Graças aos avanços atuais e disponibilidade de equipamentos e
sistemas flexíveis e de fácil interconexão é que se pode tratar da Integração
como um todo. O potencial da tecnologia é que permitiu que se pensasse em organizações
modernas e até virtuais. Existem alguns caminhos a serem ainda desbravados,
principalmente na área de normalização, para que um usuário possa integrar sistemas
de diversos fornecedores.
A palavra integração pode significar tanto o processo
de integração, como o seu resultado. Apresenta-se aqui a definição de integração,
como resultado de um processo de integração.
Integrar é obter uma operação mais eficaz dos processos
de negócio de uma empresas e entre eles, compreendendo as pessoas, máquinas
e informação, de acordo com os objetivos da empresa (Goranson 1997). Integração
significa unificar componentes heterogêneos de uma forma sinérgica. Em uma empresa
trata de facilitar o acesso a informação, o controle e fluxo de material, conectando
todas as funções e entidades funcionais heterogêneas. Com isso melhora a comunicação,
cooperação e coordenação dentro da empresa, de forma que ela se comporte como
um "todo" integrado, assim como sua produtividade, flexibilidade e
capacidade de gerenciamento de mudança (Vernadat 1996).
Para se integrar deve-se ter uma visão única (holística) do negócio, compartilhada por todas as pessoas da empresa. Esta visão pode ser representada por seus processos de negócio. Os objetivos da empresa devem estar alinhados com as suas estratégias e com os objetivos pessoais de cada um. Ela deve se tornar parceira dos fornecedores e atender sempre as necessidades de seus clientes. A ações de melhoria adotadas pela empresa devem ser harmônicas entre si. Os sistemas de gestão precisam suportar todos esses requisitos, etc..
Pode-se listar um número maior ainda de características e atividades correspondentes que leva à integração. No entanto o processo de integração depende de dois fatores básicos: educação e metodologia.
A integração começa com educação, passa por educação e continua com educação. Utiliza-se aqui o significado amplo do termo educação, que se inicia fora das empresas e continua por toda a vida profissional do indivíduo.A educação influencia principalmente a cultura técnica da empresa e a sua capacidade de aprendizado, passando por motivação e tomando como referência as necessidades e habilidades existentes. Deve-se atuar na educação em todos os níveis da empresa, do presidente e diretoria aos operários ("colaboradores"). Nos primeiros devem estar fundamentados os conceitos de integração, business process, técnicas gerenciais, estabelecimento de estratégias, etc. .Para os últimos, conceitos de suas múltiplas funções, habilidades necessárias, conhecimentos específicos, etc.. Isso para não falar dos níveis intermediários. Esta colocação é propositadamente superficial, com a intenção somente de se destacar a importância da educação, pois quem realmente agrega valor à manufatura de uma forma ampla são as pessoas que trabalham dentro da empresa (o autor deste não considera o termo recursos humanos apropriado neste caso).
A metodologia deve proporcionar
um frame de métodos, técnicas e ferramentas, que o indivíduo educado (ou grupo
de indivíduos) pode acessar e utilizar conforme a sua necessidade específica.
É uma referência de como se deve agir para se obter a integração. Pode-se tomar
como exemplo a Metodologia de Integração de Empresas (MIE) desenvolvida
no NUMA. Ela é uma metodologia de gerenciamento de mudanças (change management)
e possui três grandes ciclos que devem ser sempre repetidos: diagnóstico,
desenvolvimento de projetos (planejamento e especificação) e implementação/monitoramento.
A visão holística da empresa com base no
conhecimento e especificação do business process está
contida no desenvolvimento de todas as suas fases. A ênfase aqui é criar uma
sinergia entre as diversas abordagens de melhoria dos negócios. Quando se analisa,
por exemplo, o ciclo de PDCA (plan-do-check-act) da escola da qualidade percebe-se
uma certa semelhança com o príncipio de change management. A diferença
está em no gerenciamento de mudanças, sempre se tem como referência a imagem
única e abrangente da empresa através da visualização de todas as dimensões
dos seus processos de negócio, que pode ser obtida por meio da
modelagem de empresas.
Devido à visão abrangente apresentada, a integração é influenciada pelos avanços em: planejamento estratégico, novas formas organizacionais, tecnologia de informação, relacionamento entre empresas, métodos de produção etc.. Apresentam-se aqui alguns exemplos que podem influir na integração da manufatura.
Integração Homogênea do ponto
de vista de tecnologia de informação
A integração homogênea parte do princípio que existe
uma base de dados única para todos os aplicativos. Isto é conseguido através
de sistemas de gestão integrados (ERP), que contém teoricamente
todos os aplicativos que uma empresa de manufatura necessitaria. Esses sistemas
são bem flexíveis, pois podem ser configurados para diversas alternativas. Uma
dificuldade desses sistemas integrados é o seu tempo e custo de implantação
(por falta de profissionais que suportem uma implantação rápida) e limitações
funcionais para atendes às especificidades de cada negócio.
Devido a isso, existem vários aplicativos complementares,
que já trabalham integrados com esses sistemas.
O problema ainda fica na integração da base de
dados, pois os modelos dos sistemas integrados normalmente fazem um uso extenso
da integridade referencial, dificultando a troca on-line de dados com aplicativos
não nativos no sistema integrado. Alguns sistemas, no entanto, fornecem interfaces
de dados padrão, onde se armazenam os dados que se deseja inserir, ficando a
criação do relacionamento referencial a cargo do próprio aplicativo. Normalmente,
o problema de integração é resolvido pelos fornecedores do sistema complementar
e do ERP.
Existem sistemas integrados baseados na arquitetura
cliente-servidor e outros com base em intranet. Os que rodam em
clientes Windows podem fazer uso da tecnologia OLE (object link embedded), o
que facilita a integração funcional com outro aplicativo que trabalhe também
com o padrão OLE. O mesmo acontece no mundo UNIX com o padrão CORBA. Em futuro
próximo aguarda-se que tanto um padrão único seja adotado para qualquer plataforma
de hardware.
Integração Heterogênea do ponto
de vista de tecnologia de informação
A integração heterogênea, como o próprio nome diz,
preocupa-se em integrar sistemas distintos, desenvolvidos por fornecedores diferentes.
Ela toma como base um repositório de dados também conhecido como meta base de
dados, que é uma espécie de dicionário de todos os dados que estão nas bases
de dados de cada um dos aplicativos a serem integrados. A grande desvantagem
aqui é o armazenamento redundante de dados. Por utilizar sistemas diferentes,
pode acontecer que em um ambiente heterogêneo exista também uma redundância
das funções oferecidas por dois aplicativos ou mais. Nesse caso o modelo do
processo de negócio adotado como referência deve prever qual funcionalidade
de qual sistema é para ser utilizada na realização de uma atividade. Um padrão
que pode colaborar para a efetivação deste tipo de integração é se todos os
fornecedores de sistemas integrados oferecerem interfaces em conformidade com
padrões (STEP seria tal iniciativa se provesse uma especificação para todos
os possíveis objetos -business object - das empresas de manufatura) - vide sites
relacionados.
Equipes Virtuais
A globalização da economia traz, entre outras,
uma estratégia de se operar simultaneamente em vários locais distintos. Isso
pode ocorrer, por exemplo, no desenvolvimento de um produto, com várias pessoas
localizadas em diversos locais trabalhando em grupo e fazendo uso da tecnologia
de telecomunicação. Suas atividades seriam suportadas por sistemas de workgroup
computing e elas formariam então um time virtual.
Automação do Processo de Negócio
Uma outra tecnologia disponível parece que pode
ser o caminho para a criação de software no futuro. Essa tecnologia tem a sigla
BPA (business process automation) ou BPE (business process execution) e seu
princípio está na automação de atividades específicas definidas em um BP
resultante, por exemplo, de um trabalho de Reengenharia. O desenvolvimento desses
building blocks de software específicos seria realizado com um ferramenta de
desenvolvimento orientada por objeto com grande produtividade e alto grau de
abstração.
Outros tópicos adicionais a serem conhecidos, relacionados com a integração de empresas são:
Empresas Virtuais
Learning Enterprise
Suplly Chain (cadeia de suprimentos)
AGUIAR, A. F. S.; ROZENFELD, H.; RENTES, A. F.; BREMER, C. F.; ALLIPRANDINI, D. H. (1994). Integração da manufatura: o caminho para a modernização. Máquinas e Metais, p.98-113, set. (t:836).
GORANSON, H. T.(1997). Human factors and enterprise integration, Workshop 1 Report ICEIMT, 82-87.
HANDY, C.; (1995). Trust and the virtual organization. Harvard Business Review, Harvard, v. 73, n.3, p. 40-50. (t:804).
PETRIE, C. J. (1992). The Model / Application Link. Report of the Workgroup 1 of the ICEIMT Workshop II. In: Proceedings of the First International Conference on Enterprise Integration Modeling. p.42-46. The MIT Press, Cambridge.
ROZENFELD, H. (1996). Reflexões sobre a manufatura integrada por computador (CIM). In: MANUFATURA CLASSE MUNDIAL: Mitos e realidade. São Paulo, 1996. (t:1)
VERNADAT, F. B. (1996). Enterprise modelling and integration: principles and applications. London: Chapman & Hall. (t:625)
SAVAGE,C. M. (1990). Fifth generation management: integrating enterprises through human networkng. Burlington: Digital Press. ( Disponível na biblioteca da FEA - USP ).
KOSANKE, K.; NELL, J. G. (1997). Enterprise engineering and integration: building international consensus. INTERNATION CONFERENCE ON ENTERPRISE INTEGRATION AND MODELING TECHNOLOGY. 1997. Procedings. (t: 510)
International Conference on Enterprise Integration and Modeling Techniques http://tools.org/EI/ICEIMT/ É uma conferência em constante desenvolvimento, agregando pesquisadores mundiais na área de integração, fomentada por agências finaciadoras européias e americanas. Já realizou 2 congressos (1992 e 1997), onde os resultados de workshops que tratam de questões em integração são apresentados, assim como novas contribuições.
Semântica de plug and play para integração http://www.mel.nist.gov/workshop/jtc1-96/papfultn.htm Site preparado pelo Joint Workshop on Standards com paper definindo dados e processos de sistemas de informação, com o objetivo de identificar oportunidades de colaboração entre organizações utilizando modelos padrão. Neste site pode-se levantar várias informações sobre padrões de interoperacionalidade.
Construction IT - STEP Standard:http://www.vtt.fi/cic/links/step.html
Siemens - STEP Competence Center: http://www.atd.siemens.de/it-dl/step/index.htm
STEP Tools:http://www.steptools.com
STEP - A key tool in the global
market: http://www.ukcic.org/step/stpgolb1.htm