[Conceitos Básicos]
[Informações Adicionais]
Responsável:Prof. Henrique Rozenfeld
Fonte: Rozenfeld, H., 1997. (vide informações adicionais)
O modelo de referência para o processo de desenvolvimento de produto da Fábrica Integrada Modelo (FIM) é uma representação deste business process desenvolvida pelo Grupo de Engenharia Integrada com base em conceitos de modelagem de empresas. Esta representação é fruto de oito anos de pesquisas e trabalhos de consultoria realizados na área de desenvolvimento de produto; contando também com a contribuição de diversos especialistas que durante esses anos puderam conhecer este modelo e criticá-lo, contribuindo para o seu desenvolvimento.
Este modelo de referência é importante por ser uma representação da visão holística do processo de desenvolvimento de produto. Nele são apresentadas as principais dimensões de um processo de negócio (veja as formas de representação do modelo) no maior nível de detalhamento e escopo possíveis. O Grupo Engenharia Integrada procura desenvolver um modelo detalhado e aplicável a maioria dos casos práticos, servindo, assim, de base para as pesquisas e intervenções práticas realizadas pelo Grupo de Engenharia Integrada (veja as aplicações do Modelo de Referência da FIM).
Atualmente, além da atualização
e aprimoramento do modelo de referência atual,o Grupo de Engenharia Integrada
vem realizando um esforço para seu desdobramento em modelos de referência
específicos a determinados contextos, ou seja, indústrias e tipos de projeto
de desenvolvimento específicos.
(Clique aqui para uma descrição
resumida do modelo de referência da FIM).
O modelo de referência é um elemento
central e que distingüe a atuação em pesquisa e prestação de serviços do Grupo
de Engenharia Integrada. Como representação da visão
holística ele dá suporte para que as atividades do grupo em qualquer destes
campos sejam guiadas conforme esta visão sobre o processo de desenvolvimento
de produto. No âmbito da pesquisa ele auxilia na integração dos membros
do grupo e dos conhecimentos gerados em áreas específicas. Pode também ser aplicado
em intervenções práticas como parâmetro para análise de processos de desenvolvimento
de produto existentes. E, mais importante ainda, este modelo é um dos elementos
centrais dos cenários de integração sobre
desenvolvimento de produto. Estes cenários
são aplicados em novas formas de ensino do processo de desenvolvimento de produto
e na avaliação de soluções existentes para este processo.
Atualmente este modelo está representado em quatro formatos diferentes. Em todos eles busca-se representar as dimensões principais de um processo de negócio: organização, informação, recursos e atividades :
O primeiro nível
da descrição do Business Process Desenvolvimento
de Produto é a visão analógica apresentada na figura abaixo, a mesma que inicia
todas as representações do modelo de referência. Em seguida é apresentada
uma breve descrição de cada uma das fases.
Conceber
Produto: É a fase inicial do desenvolvimento
do produto. Tem início com idéias e informações de mercado tais como
pesquisas encomendadas e/ou realizadas pelos dirigentes, observações de concorrentes,
necessidades de melhoria, opinião de clientes, etc. As propostas de projetos
de novos produtos reveladas a partir destas atividades são avaliadas com a técnica
de Análise de Atratividade (baseada em conceitos de análise do valor e que considera
fatores Mercadológicos e da Estratégia Competitiva
da empresa). Após a discussão e aprovação de uma das propostas, um grupo composto
por pessoas da alta gerência e um coordenador de produto definem as diretrizes
deste produto: como custo, retorno esperado, data de lançamento, especificação
final do produto, etc. Este coordenador acompanha todo o ciclo de vida do produto,
sendo, portanto, a melhor interface entre a alta administração e
a equipe de desenvolvimento
. Inicia-se nesta fase a aplicação de conceitos de
workgroup computing com o intuito de aumentar a eficácia e eficiência
do time de desenvolvimento.
No final desta fase prepara-se também um cronograma com os marcos principais
do projeto, o qual é baseado no modelo
de referência. Inicia-se, assim, a aplicação dos conceitos de
gerenciamento de projetos que devem acompanhar todo o desenvolvimento.
Conceituar Produto:
Consiste em complementar as diretrizes obtidas anteriormente com uma definição
detalhada das características técnicas do produto. Esta atividade é desempenhada
por um time multifuncional,
composto por engenheiros de qualidade, processo, projeto, marketing e outros,
liderados pelo coordenador de produto.
O trabalho do time é guiado pela filosofia de engenharia
simultânea e auxiliado por sistemas de workgroup computing. Utilizando a
Casa da Qualidade do QFD (Quality Function Deployment)
são desdobradas as necessidades dos clientes em características técnicas a serem
satisfeitas pelo produto. Todas as informações sobre o projeto são arquivadas
de forma sistemática, garantindo a sua reutilização em fases posteriores com
o emprego de sistemas de gerenciamento de dados de engenharia (PDM).
Uma vez definidas as características técnicas, são gerados conceitos e suas
respectivas estruturas de produto preliminar (BOM).
Estas estruturas servião de base para decisões make or buy e uma previsão
de custos (esta última podendo utilizar a filosofia de custo
ABC). Fornecedores parceiros estratégicos podem
então ser chamados à participar do desenvolvimento já nesta fase. Os diferentes
conceitos especificados para o produto são avaliados, suas diretrizes detalhadas
e validadas e é tomada a decisão, em conjunto com a alta administração (representada
por um conjunto de diretores denominado grupo de concepção) de dar-se continuidade
ao projeto, investindo ou não mais recursos no detalhamento do conceito considerado
mais promissor.
Projetar
Produto e Processo: nesta fase realiza-se o detalhamento do produto
pelo mesmo time multifuncional, acrescido agora de especialistas de áreas específicas.
Informações de produtos semelhantes são recuperadas
de forma sistemática utilizando ferramentas como Sistemas de Classificação e Tecnologia de Grupo,
Estrutura e Identificação de
Produtos e PDM . Caso trate-se de um produto
modular realiza-se a especificação da família completa de produtos. A partir
destas informações, novos desenhos e processos são elaborados em detalhe com
apoio de sistemas CAD e CAPP.
Suas características são calculadas, verificadas e dimensionadas com o apoio
de diversas ferramentas como técnicas de DFMA (Design
for Manufacturing and Assembly), protótipo eletrônico e CAE (Computer Aided
Engineering).
Antes do detalhamento de um componente, toma-se
a decisão definitiva de make or buy, agora com previsões de custos
mais precisas e realistas em relação às obtidas na fase de conceito.
Nesta fase também devem ser tomadas decisões quanto à procedência do item, ou
seja, o nome do fornecedor, o volume e o preço, para que surpresas não
aconteçam durante a fase de fabricação e busque-se otimizar o fluxo na cadeia
de valor onde está inserida a empresa.
Para as atividades de dimensionamento mais simples
podem ser empregadas ferramentas automáticas. Um exemplo é o desenho parametrizado e as ferramentas de CAM e CAPP.
Juntas estas ferramentas podem automatiza totalmente o detalhamento de um componente
simples, iniciando pela geração do seu desenho até a composição do código CN.
Após o detalhamento existe uma montagem eletrônica
do conjunto final, onde a cadeia dimensional é verificada, aperfeiçoando-se
as especificações do detalhamento, sem impedir que essas informações já estejam
sendo utilizadas por outras pessoas.
Paralelamente podem ser iniciadas as construções
dos protótipos onde a ferramenta de prototipagem
rápida pode ser de grande auxílio. Ela permite que sejam gerados protótipos
de maneira rápida e com baixo custo visando diferentes tipos de verificação
do projeto, em alguns casos, podendo assumir o papel funcional das peças. Estes
protótipos podem ser utilizados também para otimização do projeto (visando sua
maior robustez) com o auxílio do método Taguchi.
Um princípio para o trabalho das pessoas nessa
fase é a qualidade assegurada nos serviços. Isso significa que as informações
produzidas em um estágio já são liberadas para o time dar continuidade aos trabalhos
dependentes dessa informação, antes da sua aprovação, garantindo assim um trabalho
paralelo.
Toda informação é controlada por um sistema PDM
(Product Data Management), garantindo a sua integridade. Caso uma informação,
por exemplo um desenho, seja reprovada, fica fácil rastrear as atividades dependentes.
Além disso o envio de tarefas entre os membros do time acontece através de um
gerenciador de workflows,
que otimiza o fluxo de informações.
A qualquer momento, um dos membros do time pode
considerar um item como sendo crítico, isto é, um item que apresenta uma dificuldade
técnica, econômica ou de escassez de um recurso que torne seu desenvolvimento
incompatível com as metas planejadas. Pode ser um problema de importação,
desenvolvimento de dispositivos, entrega de protótipos, falta de capacidade
de uma máquina ou equipamento de teste, etc. Nesses casos é convocada uma reunião
extraordinária com todos os membros do time, a fim de manter o desenvolvimento
do item conforme as necessidades de projeto. Eles são considerados gargalos
do desenvolvimento e devem ser acompanhados com maior atenção conforme os conceitos
de gerenciamento de projetos.
No final da fase de detalhamento acontecem reuniões
para analisar os potenciais de falhas do projeto e processo. Conforme a
QS 9000, norma que teve seus requisitos considerados
na construção do modelo, aplica-se a técnica de FMEA (Failure
Model and Effect Analysis). Ao final desta fase são desenvolvidos todos
os detalhamentos do projeto, ou seja, análise do fluxo de processo , croquis
de fabricação, de setup de equipamento, de inspeção, lista de ferramental, procedimentos
de qualidade, etc.
Homologar
Produto: Utilizam-se aqui as premissas e regras da ISO
9000 e QS 9000, definindo-se um programa de testes do produto, um plano
de processo do protótipo, plano de controle para o protótipo, os itens
a serem comprados e os serviços externos para a sua construção.
A seguir são realizadas as atividades de planejamento,
fabricação e montagem do protótipo, onde são feitos testes e uma avaliação sobre
os resultados obtidos. Aplicam-se aqui as técnicas de projeto de experimentos, montando-se ao final um relatório
dos testes realizados.
Com base neste relatório e tendo-se em mãos as
possíveis falhas levantadas durante o Projetar Produto o FMEA
de produto é finalizado e o produto é homologado. Na homologação verifica-se
o cumprimento das diretrizes do produto por meio de reuniões de avaliação com
as equipes envolvidas no seu desenvolvimento.
Homologar Processo: Com o protótipo aprovado, parte-se para a definição de um cronograma interno de implantação do produto na empresa. São detalhados planos de montagem, planos de controle e é verificada a capabilidade dos processos por meio dos índices de capabilidade. Ao final da produção piloto são avaliadas as falhas do processo de fabricação e tomam-se as medidas pertinentes para eliminá-las. Estas falhas são comparadas com aquelas previstas no FMEA de processo e é avaliada a eficácia das ações corretivas derivadas desta análise, gerando novos índices de risco. Ao final deste esforço o processo é homologado em reunião com toda a equipe.
Ensinar
Empresa: Consiste em diversas atividades com o objetivo de transmitir as
informações sobre o produto e seus processos para as demais áreas da empresa
e para a avaliação crítica do desenvolvimento visando a melhoria contínua do
processo de desenvolvimento de produto.
O primeiro deles é um conjunto de esforços tais
como: preparação de manuais de manutenção, de aplicação, catálogos para venda,
etc. Com esse material realizam-se cursos e palestras para pessoas das áreas
de marketing, vendas, assistência técnica, planejamento e fabricação, a fim
de divulgar os conceitos e características do novo produto. Sistemas de informação
para apoio às outras atividades da empresa, relacionados com o produto, tais
como software de apoio a vendas ou assistência técnica, são desenvolvidos nesta
fase.
Com todas estas atividades realizadas chega-se
ao fim do esforço de desenvolvimento. Os principais elementos envolvidos com
o processo (Coordenador, diretoria e time de desenvolvimento) podem então se
reunir para uma avaliação crítica visando acumular as experiências geradas com
este desenvolvimento (segundo o conceito de learning
enterprise). É analisado o cumprimento das diretrizes iniciais, identificados
pontos críticos, relatados eventos problemáticos, pontos fortes e fracos e,
por fim, elabora-se uma lista com potenciais ações de melhoria.
Artigo
ROZENFELD,H Modelo de Referência para o Desenvolvimento Integrado de Produtos. Anais em CD do XVII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇAO / 3RD INTERNATIONAL CONGRESS OF INDUSTRIAL ENGINEERING Gramado, 1997
Fábrica Integrada Modelo - apresenta o ambiente de manufatura que está sendo desenvolvido dentro do Núcleo de Manufatuda Avançada (NUMA) e suas aplicações. O modelo de referência é um dos elementos fundamentais para a geração deste ambiente.