[Conceitos Básicos] [Informações Adicionais]
Responsável: Daniel
Capaldo Amaral ;Prof. Henrique Rozenfeld
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Para permitir a integração de empresas é preciso que todos os elementos que a compõem, sejam eles homens, máquinas e sistemas computacionais, entre outros, sejam capazes de trocar informações entre si numa profundidade além da simples troca física de dados. Isto passa necessariamente pelo desenvolvimento de uma visão holística dentro da empresa, isto é, o desenvolvimento de uma imagem única e integrada nas pessoas que fazem parte desta organização. É por meio da atuação de pessoas possuidoras desta imagem ampla e integrada e, portanto, capazes de considerar a interação entre múltiplos fatores, que se desenvolve e sedimenta a integração da manufatura. Um dos mecanismos que podem auxiliar as pessoas a obter esta imagem integrada da empresa são os modelos de empresa.
Modelos de empresa são representações de uma organização real que servem como uma referência comum para todos os seus membros, sejam eles pessoas, sistemas ou recursos. Este modelo forma uma infra-estrutura de comunicação que pode ter diversas aplicações. A partir do modelo de empresa qualquer pessoa pode adquirir uma visão geral sobre as operações, possibilitando análises, previsão de impactos das atividades, identificação de pontos de melhorias, entre outros, servindo, assim, como uma representação da visão holística. Com o apoio dos modelos de empresa é possível uma avaliação mais apurada do papel dos recursos nos processos de negócio e a análise e projeto da integração destes recursos com os demais.
Existem atualmente
diversas propostas direcionadas à modelagem de empresas. Há princípios
, etapas e uma grande quantidade
de metodologias e ferramentas, também conhecidas como
frameworks de modelagem.
Apesar de todo este desenvolvimento e da importância que esta área vem recebendo
dentro das organizações ainda persistem grandes
barreiras para a aplicação destes modelos. Uma das principais barreiras
é a complexidade gerada pela quantidade grande de elementos
necessários para a representação destes tipos de sistemas. Um exemplo de modelo de empresas é o desenvolvido
pelo Grupo de Engenharia Integrada
para o processo de desenvolvimento de produto da Fábrica Integrada Modelo (modelo de referência da FIM).
(figura 1) O
Modelo de Empresa como uma Infra-estrutura para integração Fonte: VERNADAT(1996), p.86 (deixar esta
figura no meio do texto acima)
Segundo VERNADAT (1996, p.24):
Os benefícios básicos da modelagem de empresa são VERNADAT (1996):
A principal barreira para a modelagem de empresas está na complexidade e os altos custos envolvidos na geração destes modelos. Isto porque organizações são sistemas altamente complexos e que exigem a representação de diferentes tipos de elementos (informação, organização, métodos, conhecimento, etc..) com grandes e diversificadas interações entre si. Assim, os projetos que envolvem modelagem são geralmente longos e demandam esforços de uma grande equipe, além da contribuição de todos os profissionais da empresa. ainda riscos do modelo gerado não encontrar-se num nível suficiente de detalhamento e consistência conforme os objetivos pretendidos ou, ao contrário, derivar num modelo tão detalhado e complexo que inviabilize a visão ampla da empresa.
Visões: um conceito importante
empregado amplamente na área de modelagem de empresas é o conceito de geração
de diferentes visões que representam aspectos parciais da realidade.
Cada visão pode conter a descrição de um aspecto específico do sistema tornando
a linguagem e a transmissão destes aspectos mais clara se comparado com a
descrição do sistema numa única visão. A descrição dos demais elementos é
garantida pela integração entre as diferentes visões, tal que a utilização
deste conceito permite que o modelo descreva sistemas altamente de grande
complexidade.
Princípios de Modelagem de
Empresas
O processo de
modelagem de empresa pode ser contextualizado por meio da figura abaixo, conforme
Vernadat (1996):
Como entradas deste processo tem-se: conhecimento sobre a empresa (conhecimento sobre a empresa que está sendo modelada e que reside espalhado entre todos os funcionários e pessoas que trabalham na organização); ontologia do domínio (uma formalização de algum conhecimento em termis de conceitos abstratos e axiomas); biblioteca de modelos conjunto de modelos e objetos que o profissional de modelagem ou a empresa já possuem e que podem ser reaproveitadas dependendo do objetivo da modelagem. Os controles que guiam os modelos do processo são os objetivos para os quais serão empregados os modelos, a metodologia de modelagem adotada e as métricas que avaliam o andamento deste processo. A execução deste processo é de responsabilidade das pessoas (engenheiros de empresa ou analistas de empresa) devidamente conhecedoras da ontologia do domínio do problema da empresa e dos métodos de representação dos modelos. Como resultado final obtém-se o próprio modelo de empresa, composto por diversos modelos consistentes e coerentes entre si, tais como modelos de processo, modelo de dados, entre outros.
Diversas metodologias podem ser utilizadas para desenvolver modelos de empresa, variando em níveis de sofisticação e abrangência. Na realidade um modelo pode ser desenvolvido desde a partir de uma simples linguagem gráfica reproduzida à mão até empregando frameworks sofisticados que empregam diferentes visões e modernos conceitos como orientação à objeto.
Baseando-se no trabalho de DOUMEINGTS, VALLESPIR & CHEN (1995), podemos classificar os tipos de metodologias de modelagem em:
Os métodos mais amplamente
difundidos na área são os seguintes frameworks: ISO,
CEN ENV 40003, CIMOSA, IDEFX/SADT, ARIS entre OUTROS.
VERNADAT, F.B. (1996). Enterprise
Modelling and Integration: Principles and Applications. London: Chapman
& Hall.
ARIS Toolset Methods Manual version 3.0 IDS PROF. SCHEER, 1995 (Trata-se do Manual deste software que suporta a modelagem segundo a arquitetura ARIS e que faz um interessante resumo sobre este framework. Uma descrição maior pode ser analisada em Scheer, 1993).
BRANDIMARTE, P.; CANTAMESSA, M.; (1995). Methodologies for designing CIM systems: a critique. Computers in Industry, v.25, p.281- 293. (t:866) (os autores fazem uma interessante discussão sobre a importância, perspectivas e barreiras para a modelagem de empresas. Apesar de um pouco antigo trata-se ainda de um trabalho de grande valor)
MARCA, D.; MCGOWAN, C. L. IDEFO/SADT: business process and enterprisa modelling. San Diego: Ecletic Solutions Corporation, 392p. (Biblioteca Central EESC - USP) (É um trabalho bastante didático sobre IDEF0 e dirigido para a aplicação prática desta metodologia de modelagem, com muitos exemplos. O único ponto fraco é que ele não se aprofunda nos demais níveis)
MERTINS, K.; JOCHEM, R.; JÄKEL, F.W. (1997). A tool for object-oriented modelling and analysis of business processes. Computers in Industry, v.33, p.345-356. (t:824). (interessante por mostrar uma ferramenta de modelagem com conceitos de orientação à objetos. Deve despertar maior interesse para especialistas no assunto).
RENTES, A. F. Proposta de um metodologia de integração com utilização de conceitos de modelagem de empresas. São Carlos. Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. (Disponível na biblioteca da EESC - USP). (Este trabalho é interessante porque o autor inseri a modelagem de empresa como peça fundamental de uma metodologia de integração. Assim pode-se perceber o potencial, importância e forma de aproveitamento da modelagem de empresas num contexto de intervenção prática).
ROZENFELD, H. (1996). Reflexões sobre a manufatura integrada por computador (CIM). In: MANUFATURA CLASSE MUNDIAL: MITOS E REALIDADE. São Paulo, 1996. (t:1) (Traz uma importante discussão sobre a importância dos modelos de empresa)
USCHOLD, M.; KING, M.; MORALEE, S.; ZORGIOS, Y. (1998). The enterprise ontology. The Knowledge Engineering Review, v.13, n.1, p.31-89. (t:856) (os autores apresentam o resultado de um esforço no sentido de erigir uma ontologia para modelagem de empresas. Deve despertar maior interesse para especialistas e pesquisadores na área de modelagem)
VERNADAT, F. B. (1996). Enterprise modelling and integration: principles and applications. London: Chapman & Hall. (Este é um dos mais importantes trabalhos já publicados sobre este assunto. O autor compilou e sistematizou uma ampla gama de conceitos, ferramentas, técnicas e outras informações sobre este assunto. É também uma boa referência para quem deseja começar a estudar este assunto)
International Journal of Production
Research
International Journal of Computer Integrated Manufacturing
Systems
Computers in industry
Concurrent engineering: research and applications
Journal of materials processing technology
Journal of intelligent manufacturing
Journal of Design and Manufacture
International journal of Operations & Production
Management
Computer integrated manufacture systems
1) ARIS
É uma família de ferramentas de modelagem cujo
software principal se chama ARIS Toolset. Trata-se de uma das ferramentas de
modelagem mais sofisticadas do mercado pois possui uma metabase de dados que
assegura a consistência dos dados de diversos modelos representando visões diferentes
de uma empresa. Ela tem como princípio o framework de modelagem ARIS.
Outro caráter distintivo desta ferramenta é que ela é uma das únicas que foi
desenvolvida especificamente para a aplicação em modelagem de empresas.
Site Brasil. http://www.ids-scheer.com.br
Site Internacional http://www.ids-scheer.com
2) VISIO
Uma ferramenta de modelagem extremamente conhecida.
Trata-se também de uma família contendo aplicações para as mais diversos usos,
compreendendo gráficos de apresentação, desenvolvimento de software e desenho
arquitetônico. Tem como seu principal fator de distinção a amigável interface
gráfica e a grande biblioteca de modelos e objetos (realmente uma quantidade
enorme distribuída entre os produtos desta família). É simples de utilizar e
não exige muito em termos de plataforma de software, porém é menos rica em recursos
de análise como simulação.
Site Internacional http://www.visio.com/
3) Micrografix Flow Chart
É uma ferramenta de modelagem bastante simples
e conhecida. Na verdade Flow Chart é o nome dado a um dos produtos deste fabricante,
de forma que toda a linha possui produtos destinados a diversos outros tipos
de modelagem, além do desenvolvimento de modelos de empresa. É simples, fácil
de usar e possui dentro da linha de produtos uma quantidade maior de pacotes
facilitando a análise, como por exemplo um produto específico para a simulação
de processos de negócio.
Site Internacional http://www.micrografx.com/enterprise/graphicssuite/flowcharter/
Sites Relacionados
Warwick University
Lista de sites sobre business process http://bprc.warwick.ac.uk/bp-gold.html#SEC1
Business Process Resource Center
(Centro de estudos sobre Business Process da Universidade de Warwick) http://bprc.warwick.ac.uk/