[Conceitos Básicos] [Informações
Adicionais]
Fontes: Manuais da QS 9000,
CLAUSING, D. (vide informações adicionais)Definição
A metodologia de Análise do Tipo e Efeito de Falha, conhecida como FMEA (do inglês Failure Mode and Effect Analysis), é uma ferramenta que busca, em princípio, evitar, por meio da análise das falhas potenciais e propostas de ações de melhoria, que ocorram falhas no projeto do produto ou do processo. Este é o objetivo básico desta técnica, ou seja, detectar falhas antes que se produza uma peça e/ou produto. Pode-se dizer que, com sua utilização, se está diminuindo as chances do produto ou processo falhar, ou seja, estamos buscando aumentar sua confiabilidade.
Esta dimensão da qualidade, a confiabilidade, tem se tornado cada vez mais importante para os consumidores, pois, a falha de um produto, mesmo que prontamente reparada pelo serviço de assistência técnica e totalmente coberta por termos de garantia, causa, no mínimo, uma insatisfação ao consumidor ao privá-lo do uso do produto por determinado tempo. Além disso, cada vez mais são lançados produtos em que determinados tipos de falhas podem ter consequências drásticas para o consumidor, tais como aviões e equipamentos hospitalares nos quais o mal funcionamento pode significar até mesmo um risco de vida ao usuário.
Apesar de ter sido desenvolvida com um enfoque no projeto de novos produtos e processos, a metodologia FMEA, pela sua grande utilidade, passou a ser aplicada de diversas maneiras. Assim, ela atualmente é utilizada para diminuir as falhas de produtos e processos existentes e para diminuir a probabilidade de falha em processos administrativos. Tem sido empregada também em aplicações específicas tais como análises de fontes de risco em engenharia de segurança e na indústria de alimentos.
A norma QS 9000 especifica o FMEA como um dos documentos necessários para um fornecedor submeter uma peça/produto à aprovação da montadora. Este é um dos principais motivos pela divulgação desta técnica. Deve-se no entanto implantar o FMEA em um empresa, visando-se os seus resultados (vide importância) e não simplesmente para atender a uma exigência da montadora.
Tipos de FMEA
Esta metodologia pode ser aplicada tanto no desenvolvimento do projeto do produto como do processo. As etapas e a maneira de realização da análise são as mesmas, ambas diferenciando-se somente quanto ao objetivo. Assim as análises FMEA´s são classificadas em dois tipos:
Há ainda um terceiro tipo, menos comum, que é o FMEA de procedimentos administrativos. Nele analisa-se as falhas potenciais de cada etapa do processo com o mesmo objetivo que as análises anteriores, ou seja, diminuir os riscos de falha.
Aplicação da FMEA
Pode-se aplicar a análise FMEA nas seguintes situações:
Funcionamento Básico
O princípio da metodologia é o mesmo independente do tipo de FMEA e a aplicação, ou seja, se é FMEA de produto, processo ou procedimento e se é aplicado para produtos/processos novos ou já em operação. A análise consiste basicamente na formação de um grupo de pessoas que identificam para o produto/processo em questão suas funções, os tipos de falhas que podem ocorrer, os efeitos e as possíveis causas desta falha. Em seguida são avaliados os riscos de cada causa de falha por meio de índices e, com base nesta avaliação, são tomadas as ações necessárias para diminuir estes riscos, aumentando a confiabilidade do produto/processo.
Para aplicar-se a análise FMEA em um determinado produto/processo, portanto, forma-se um grupo de trabalho que irá definir a função ou característica daquele produto/processo, irá relacionar todos os tipos de falhas que possam ocorrer, descrever, para cada tipo de falha suas possíveis causas e efeitos, relacionar as medidas de detecção e preveção de falhas que estão sendo, ou já foram tomadas, e, para cada causa de falha, atribuir índices para avaliar os riscos e, por meio destes riscos, discutir medidas de melhoria.
Etapas para a Aplicação
Planejamento
Esta fase é realizada pelo responsável pela pela aplicação da metodologia e compreende:
Análise de Falhas em Potencial
Esta fase é realizada
pelo grupo de trabalho que discute e preenche o formulário FMEA de acordo com
os passos que seguem abaixo:
1 |
função(ções) e característica(s) do produto/processo |
2 |
tipo(s) de falha(s) potencial(is) para cada função |
3 |
efeito(s) do tipo de falha |
4 |
causa(s) possível(eis) da falha |
5 |
controles atuais |
Avaliação dos Riscos
Nesta fase são
definidos pelo grupo os índices de severidade (S), ocorrência (O) e detecção
(D) para cada causa de falha, de acordo com critérios previamente definidos
(um exemplo de critérios que podem ser utilizados é apresentado nas tabelas
abaixo, mas o ideal é que a empresa tenha os seus próprios critérios adaptados
a sua realidade específica). Depois são calculados os coeficientes de prioridade
de risco (R), por meio da multiplicação dos outros três índices.
SEVERIDADE |
Índice |
Severidade |
Critério |
| 1 | Mínima | O cliente mal percebe que a falha ocorre |
| 2
3 |
Pequena | Ligeira deterioração no desempenho com leve descontentamento do cliente |
| 4 5 6 |
Moderada | Deterioração significativa no desempenho de um sistema com descontentamento do cliente |
| 7 8 |
Alta | Sistema deixa de funcionar e grande descontentamento do cliente |
| 9 10 |
Muito Alta | Idem ao anterior porém afeta a segurança |
OCORRÊNCIA |
Índice |
Ocorrência |
Proporção |
Cpk |
| 1 | Remota | 1:1.000.000 | Cpk > 1,67 |
| 2
3 |
Pequena | 1:20.000
1:4.000 |
Cpk > 1,00 |
| 4
5 6 |
Moderada | 1:1000
1:400 1:80 |
Cpk <1,00 |
| 7
8 |
Alta | 1:40
1:20 |
|
| 9
10 |
Muito Alta | 1:8
1:2 |
DETECÇÃO |
Índice |
Detecção |
Critério |
| 1
2 |
Muito grande | Certamente será detectado |
| 3
4 |
Grande | Grande probabilidade de ser detectado |
| 5
6 |
Moderada | Provavelmente será detectado |
| 7
8 |
Pequena | Provavelmente não será detectado |
| 9
10 |
Muito pequena | Certamente não será detectado |
Observações Importantes:
Melhoria
Nesta fase o grupo, utilizando os conhecimentos, criatividade e até mesmo outras técnicas como brainstorming, lista todas as ações que podem ser realizadas para diminuir os riscos. Estas medidas podem ser:
Estas medidas são analisadas quanto a sua viabilidade, sendo então definidas as que serão implantadas. Uma forma de se fazer o controle do resultado destas medidas é pelo próprio formulário FMEA por meio de colunas que onde ficam registradas as medidas recomendadas pelo grupo, nome do responsável e prazo, medidas que doram realmente tomadas e a nova avaliação dos riscos.
Continuidade
O formulário FMEA é um documento vivo, ou seja, uma vez realizada uma análise para um produto/processo qualquer, esta deve ser revisada sempre que ocorrerem alterações neste produto/processo específico. Além disso, mesmo que não haja alterações deve-se regularmente revisar a análise confrontando as falhas potenciais imaginadas pelo grupo com as que realmente vem ocorrendo no dia-a-dia do processo e uso do produto, de forma a permitir a incorporação de falhas não previstas, bem como a reavaliação, com base em dados objetivos, das falhas já previstas pelo grupo.
A metodologia FMEA é importante porque pode proporcionar para a empresa:
Integração FMEA de Processo com CAPP
Na confecção do FMEA de processo
deve-se primeiramente levantar e registras todas as características do processo.
Se a empresa estiver trabalhando com um sistema CAPP, que possua operações padrão,
todas as operações deveriam ser interfaceadas automaticamente para o FMEA. Assim,
o tempo de obtenção do FMEA seria menor e seira garantida a consistência com
os processos/operações definidas.
Manuais da QS 9000. Análise de Modo e Efeitos de Falha Potencial (FMEA): Manual de Referência. 1997.
CLAUSING, D. (1994). Better decisions. In:Total quality development: a step-by-step guide to worldclass concurrent engineering. 2.ed., Nova Iorque, The American Society of Mechanical Engineers. Cap. 3, p.60-73. (t: 322). ( Disponível na biblioteca da EESC - USP ).
CLAUSING, D. (1994). The design. In:Total quality development : a setp-by-step guide to worldclass concurrent engineering. 2. ed., Nova Iorque, The American Society of Mechanical Engineerss. Cap. 5, p. 175-273. (t: 322). ( Disponível na biblioteca da EESC - USP ).
OLIVEIRA, C. B. M.; ROZENFELD, H. (1997). Desenvolvimento de um módulo de FMEA num sistema comercial de CAPP. (CD ROM). In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO,17., Gramado, 1997. Anais. Porto Alegre, UFRGS. (t :662).
Sites Relacionados
Quality Associates International http://www.quality-one.com/ Empresa de consultoria e treinamento em qualidade. Apresenta conteúdo básico sobre FMEA, além de outras ferramentas como QFD e QS 9000.
A empresa KSR (http://www.ksr.com.br) possui um sistema de confeçcão de FMEA integrado com um sistema CAPP, que já garantiu a várias empresas a cerificação da QS 90000. Na página da KSR tem um local onde várias perguntas práticas sobre um FMEA são respondidas (http://www.ksr.com.br/oqufmea.htm).